Segurança contra fogo

Quando se fala em segurança contra fogo, deve-se procurar métodos eficazes de prevenção e não apenas métodos de combate, pois previnir é tão importante quanto combater. Os trabalhos realizados em laboratório apresentam, em sua maioria, grande risco potencial de incêndio. Para poder
trabalhar com segurança é necessário, principalmente, ter organização, utilizar quantidades limitadas de materiais explosivos e líquidos inflamáveis, e fazer com precaução qualquer tipo de mistura entre diferentes substâncias químicas. Para um laboratório o melhor método de combate ao fogo é o extintor de gás carbônico, pois suas propriedades químicas permitem a sua aplicação em um grande número de diferentes tipos de incêndios. É um gás muito pouco reativo, não conduz corrente elétrica e não apresenta efeitos tóxicos. Deve-se apenas procurar não usá-lo por tempos prolongados
em ambientes muito fechados, pois pode provocar tonturas, desmaios ou até mesmo a morte, não por efeito tóxico, mas por asfixia.
Outros procedimentos de combate a incêndio, que podem ser muito úteis e de fácil aquisição, são as caixas de areia e cobertores de tecido não-sintético.

  • Química do fogo

O fogo ou combustão resulta de uma oxidação rápida. Conhecer as condições que determinam a ocorrência, ou não, da oxigenação de uma substância com desenvolvimento de calor e luz, é essencial para a compreensão dos princípios em que se baseiam os métodos de controle e extinção do fogo.
Convém recordarmos que existem dois tipos de reações químicas: Endotérmicas e Exotérmicas. Reações endotérmicas são aquelas que dão origem a uma substância com maior energia do que existe nos compostos reagentes, processando-se sem desprendimento de calor. As reações exotérmicas poduzem substâncias com menor energia do que existe nos
compostos reagentes e se processam com desprendimento de calor.
As reações oxidantes que ocorrem nos incêndios são exotérmicas. Para ocorrer uma reação oxidante devem estar presentes: o material combustível e o agente oxidante. O oxigênio é o elemento oxidante fundamental. A
oxidação de um material ocorre continuamente enquanto estiver presente um agente oxidante normalmente o ar (aproximadamente 1/5 de oxigênio e 4/5 de nitrogênio). Porém, à temperatura ambiente, a reação é tão lenta que não chega a ser perceptível. O “amarelamento” do papel e a ferrugem são exemplos de oxidação lenta. Em temperaturas mais altas como as que podem ser criadas pela chama de um palito de fósforo, a taxa de oxidação torna-se rápida, gerando grande quantidade de calor. Caso esse calor gerado seja suficiente para manter a reação após a remoção do palito de fósforo aceso, e caso apareçam chamas, diz-se que ocorreu a ignição. A combustão é a queima contínua após a ignição. Além do calor e do agente oxidante, mais um elemento determinará a ocorrência da ignição e combustão: o material
combustível. Este material poderá ser sólido, líquido ou gasoso, sendo que quando nos dois primeiros estados, deverão ser decompostos pelo calor em vapores que queimam com chama visível.
Resumindo, podemos dizer que são essenciais para ocorrência de uma combustão, 3 fatores:

(1) Agente Oxidante
(2) Fonte de Ignição
(3) Material Combustível
Para visualizar esquematicamente os 3 elementos essenciais da combustão, utiliza-se o clássico triângulo, formado pelos seus elementos componentes:"combustão"
A eliminação de um dos lados desse triângulo rompe a cadeia e impede a combustão. Resumindo, para que haja combustão:
a) o material combustível deve ser aquecido à sua temperatura de combustão;
b) a combustão continuará até que:
– o material combustível seja consumido
– a concentração do agente oxidante seja reduzida abaixo da concentração necessária para ativar a combustão
– o material combustível seja resfriado abaixo de sua temperatura de combustão.
Todos os métodos de prevenção, controle e extinção de incêndios baseiam-se em um desses princípios ou em suas combinações.
Convém registrar algumas definições importantes:
– Ponto de Fulgor: é a temperatura mínima na qual os corpos combustíveis começam a desprender vapores que se incendeiam em contato com uma fonte externa de calor; entretanto a chama não se mantém devido a insuficiência da quantidade de vapores.
– Ponto de Combustão: é a temperatura mínima na qual os gases desprendidos dos corpos combustíveis ao contato com uma fonte externa de calor entram em combustão e continuam a queimar.
– Ponto de Ignição: é a temperatura mínima na qual os gases desprendidos dos combustíveis entram em combustão apenas pelo contato com o oxigênio do ar independente de qualquer outra fonte de calor.

  • Princípios básicos da extinção de incêndios

Para se interromper um incêndio é necessário interromper a rápida reação oxidante que dá origem ao fogo. Podemos conseguir isto pelos seguintes métodos:
a) Resfriamento
b) Separação do agente oxidante do combustível
c) Diluição ou remoção do suprimento do combustível
d) Extinção química


Extinção por Resfriamento
É o meio mais empregado no caso de incêndio em materiais combustíveis comuns. Removendo-se o calor, baixase a taxa de evaporação, deixando a superfície do material inflamado de liberar vapores suficientes para manterem a combustão.
Extinção pela Separação ou Substituição do Agente Oxidante
A extinção pela separação do agente oxidante é efetuada mediante a aplicação de uma cobertura ou abafamento do foco do incêndio. Um exemplo deste princípio é a colocação de uma tampa em cima de uma panela com gordura inflamada, onde após consumir o oxigênio do seu interior, a chama se apaga.
Extinção pela Diluição ou Remoção do Suprimento de Combustível
Nas misturas de gases ou vapores com combustíveis, a taxa de propagação da chama depende da relação (proporção) entre o combustível e o ar, a temperatura e a pressão. Assim, quando a relação combustível-ar é alterada, altera-se também a taxa de propagação da chama. Um excesso de ar terá o efeito de diluir a concentração dos vapores de combustíveis. Por exemplo, a chama de uma vela será extinta pelo sopro, porque o jato de ar destrói o equilíbrio do suprimento do oxigênio do meio ambiente. A interrupção de um fluxo de gás inflamado ou esvaziamento por bombas de um tanque de combustível inflamado são exemplos da aplicação do princípio de remoção
de suprimento de combustível.
Extinção Química
A aplicação de agentes químicos promovem o resfriamento e a diluição pela ação de suas partículas que fracionam os vapores e absorvem seu calor. Porém outro fator ainda não bem determinado age nessa operação. Pesquisas
recentes corroboram a teoria de que uma reação química ocorre quando da aplicação do agente extintor. Essa, interfere na cadeia das reações oxidantes interrompendo-a e, conseqüentemente, também a combustão.

  • Classificação de incêndios

Informações, que têm sido gradativamente acumuladas através da experiência, permitem classificar os combustíveis em grupos, pelo comportamento similar durante a combustão, tornando possível a aplicação de técnicas comuns de extinção para cada grupo.
Classe A – fogo em materiais sólidos comuns que deixam resíduos ao queimar. Exemplos: Madeira, Papel, Tecidos, Lixo, Plásticos, Borracha. A extinção desta classe de fogo se obtém por Resfriamento: extintor de água, hidrante; ou por Ação Química: Extintor de pó químico ABC.
Classe B – fogo em líquidos inflamáveis, que queimam na superfície sem deixar resíduos. Exemplos: Gasolina, Graxas, Óleos. A extinção desta classe de fogo se obtém por Abafamento: extintor de CO2 e espuma; ou por Ação Química:
Extintor de pó químico. Os gases inflamáveis também são de Classe B. Extinguir com pó químico.
Classe C – fogo de natureza elétrica: Baixa Voltagem, Alta Tensão, Eletrônica. A extinção deve ser feita com agente extintor que não conduza eletricidade e nem danifique os equipamentos. Em equipamento eletrônico usar extintor de CO2. Em aparelhos comuns (110V, 220V, 380V) usar CO2, pó químico.
Classe D – fogo em metais combustíveis. Em alta tensão usar extintor de pó químico. A extinção se faz com pó químico de composição especial.
Agentes Extintores de Uso Atual
Os extintores de incêndio são aparelhos de fácil e rápida utilização. A finalidade dos extintores é dominar os princípios de incêndio. Na fase inicial a extinção do fogo é mais fácil, antes que haja a propagação de chamas e fumaça.

 

Manutenção dos Extintores

Extintores

Os extintores deverão ser mantidos carregados, em bom estado de conservação, bem visíveis e acessíveis. As cargas deverão ser renovadas nos prazos recomendados para cada tipo de extintor. Utilizar sempre cargas de qualidade controlada e alta eficiência, com selo ABNT. Para boa segurança, é obrigatório retestar os extintores a cada 5 anos, conforme exigências do Ministério do Trabalho e Cias. de Seguros. Revise e recarregue sempre que um extintor for utilizado, mesmo parcialmente, ou quando sofrer queda ou avaria. Extintor vazio é extintor inútil.

  • Evite incêndios

Tanto no laboratório como em sua casa, o melhor combate ao fogo é evitá-lo. Para tanto, recomendam-se algumas medidas preventivas contra incêndio:
a) Fogão a Gás
Ao sentir cheiro de gás, não acenda as luzes. Abra imediatamente todas as portas e janelas para ventilar o ambiente e procure o local do vazamento passando espuma de sabão. Nunca procure vazamentos com um fósforo.
b) Instalações Elétricas
Não sobrecarregue a rede elétrica com eletrodomésticos, revise-a periodicamente para mantê-la em perfeito estado.
c) Cigarro
Não jogue pontas de cigarro ou fósforos no assoalho, cestos de papéis, jardins ou pela janela. Evite fumar na cama antes de dormir.
d) Crianças
Crianças não devem brincar com fósforos, líquidos inflamáveis, velas ou outros objetos que possam provocar fogo.
e) Ferro Elétrico
Sempre desligue o ferro ao afastar-se do local onde estiver passando roupas.


f) Cargas Perigosas

Na cidade chame os Bombeiros e na estrada chame a Polícia Rodoviária. Não mexa no produto. Em caso de Incêndio, proceda assim:
• Ligue imediatamente para os Bombeiros – Telefone: 193
• Desligue a rede elétrica
• Se for possível, use o extintor de acordo com as instruções do fabricante
• Mantenha-se calmo, especialmente quando com outras pessoas, para evitar pânico
• Em edifícios, nunca use o elevador, as escadas são mais seguras
• Abandone rapidamente o local, para não dificultar o trabalho dos bombeiros
• Caso seja solicitado, não se omita, ajude no que for possível
• Ao ligar para o Corpo de Bombeiros preocupe-se em dizer o local do incêndio e o que está queimando, pois isso facilita muito as providências para o socorro.
ATENÇÃO:


“NUNCA DEIXE CRIANÇAS SOZINHAS TRANCADAS EM CASA.”

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