Aspectos Importantes a Considerar no Laboratório

Não há um modelo definido de laboratório. Esse pode apresentar-se das mais diversas formas. Cada professor irá planejar e realizar seu projeto de acordo com as atividades experimentais e dos recursos disponíveis. Ao projetar um laboratório, devemos primeiramente levar em consideração dois aspectos:
– a sala será construída especialmente;
– já existe uma sala que será adaptada para laboratório.
No primeiro caso, o professor, dentro das condições financeiras da escola, terá maior liberdade para projetá-la, levando em consideração o número de alunos por turma, seu tamanho, aberturas, iluminação, parte elétrica e hidráulica, etc. No segundo caso, a liberdade na oganização da sala é bem
menor. Será preciso adaptar-se às condições já existentes, aos interesses dos professores e da escola. Um terceiro aspecto altamente importante a considerar, neste projeto de construção do laboratório, é definir se a
utilização será exclusiva de uma disciplina ou compartilhada, podendo atender alunos da área de Ciências, Química, Física e Biologia.

 

  • Pisos, Paredes e Aberturas

O piso de cerâmica comum é o mais recomendável pelo baixo custo, facilidade na colocação e limpeza, segurança oferecida, ótima resistência e durabilidade. No entanto, há várias outras alternativas de piso como os de: granilite, madeira (tacos), borracha.
É de primordial importância que não haja desníveis ou elevações no piso, a fim de evitar tropeços e possíveis acidentes. Outro aspecto importante a considerar quanto ao piso, refere-se à sua constante manutenção e limpeza. Os reparos que se fizerem necessários devem ser feitos sempre o mais breve possível, mantendo-se sempre o bom estado do mesmo. Quanto às paredes internas do laboratório devemos observar aspectos como: facilidade de limpeza, durabilidade, aparência e custo. O mais recomendado é o revestimento com massa corrida pintada com latex fosco e de cor clara.
As janelas e portas devem ser amplas e distribuídas de tal forma que permitam uma boa iluminação e arejamento do laboratório.
Recomenda-se janelas basculantes por apresentarem maior segurança e por serem facilmente abertas e fechadas com um só comando de mão. Como medida de segurança as portas devem sempre abrir para o lado de fora e não devem ficar situadas frente a escadas. Recomenda-se por medida de segurança que o laboratório tenha mais de uma porta. Caso não seja possível as janelas devem favorecer a saída de emergência. Neste caso estas não devem ser obstruídas com armários, a fim de proporcionarem uma alternativa para saída de emergência.

 

  • Instalação de Gás, Água e Eletricidade

Gás

O gás poderá ser instalado de diferentes formas. A mais segura é a de um único botijão de gás, instalado fora do prédio, em uma caixa ventilada, porém fechada com cadeado e de preferência numa área inacessível a alunos, como meio de se obter maior segurança possível. A partir do botijão a instalação deve ser feita através de tubulação de cobre dirigida para os
locais onde se encontram os bicos de gás. Outra alternativa, muito usada nos laboratórios de nossas escolas, é o abastecimento de cada bico de gás com
botijão pequeno, tipo liquinho, individual para cada grupo de alunos, porém este procedimento é menos seguro que o anterior. Atualmente outra forma muito prática e econômica é o uso de liquinhos com fogareiros, no lugar do bico de gás. Neste caso teremos também botijões pequenos para cada grupo
de alunos. No entanto esta opção requer um maior cuidado, tendo-se sempre que utilizar mangueiras próprias para este fim e atenção para um possível vazamento de gás.

Água
Ao planejar-se a instalação de água para o laboratório recomenda-se a utilização de tubulação externa de plástico (padrão de segurança cor verde), que igualmente será dirigida para os locais previamente escolhidos para a localização das pias e tanques. Estas são indispensáveis para a realização de um grande número de atividades experimentais, bem como para a limpeza do equipamento a ser utilizado no laboratório. Sugerimos a construção de no mínimo duas pias e um tanque, em pontos não muito próximos um do outro, a fim de evitar o congestionamento de alunos durante uma determindada atividade experimental, em que a água se fizer necessária. As pias e tanques podem ser confeccionadas de aço inoxidável, de louça ou revestidas com azulejos.

 

  • Eletricidade

Os fios de eletricidade devem passar por uma tubulação externa, sendo igualmente dirigidos para as tomadas e interruptores de luz existentes no laboratório. Quanto às fontes de eletricidade, recomenda-se a instalação de tomadas de 110V e 220V sinalizadas com cores, diferentes, por exemplo amarela para 110V e laranja para 220V. Dependendo da distribuição das mesas no laboratório, as tomadas poderão ficar junto a essas mesas ou ao longo dos balcões laterais. É conveniente dispor de uma tomada para cada grupo. Caso isso seja inviável, convém localizar as tomadas em pontos opostos da sala, a fim de evitar a concentração de muitos alunos num mesmo local, durante os trabalhos práticos. A iluminação é condição fundamental para a realização de um bom trabalho, contribuindo para a segurança do
laboratório. É recomendável a utilização de lâmpadas do tipo fluorescente no lugar das lâmpadas incandescentes, pois essas não alteram a temperatura ambiente, pela liberação de calor. Além de fornecerem uma ótima iluminação, não cansam os olhos quando se está trabalhando em algo que requer um olhar fixo por um período mais longo de tempo.
O número e a distribuição das lâmpadas no laboratório irá depender do tamanho e formato da sala. Para obter-se uma boa iluminação recomenda-se que a cada 1,5 m seja posicionado um conjunto de duas lâmpadas fluorescentes. Ainda como forma de obter-se maior segurança no laboratório recomenda-se embutir na parede da sala uma caixa, com registros de água, gás e eletricidade. Esta caixa deve ficar em local de livre acesso ao professor, sinalizada adequadamente, assim como os registros e tubulações, conforme descrito na tabela 10.
Tabela 10: cores-padrão para tubulações em laboratório


Tipo                                                          Cor
Água:                                                        Verde
Ar:                                                              Azul
Gás:                                                           Amarelo
Vácuo:                                                    Cinza
Vapor:                                                     Vermelho

 

  • Mobiliário

Mesas e Cadeiras
Podem ser fixas ou móveis. Tanto uma como a outro apresentam vantagens e desvantagens. Num trabalho experimental os alunos se organizam em grupos, para tanto o mais conveniente são mesas e cadeiras (ou banquetas) soltas, possibilitando seu deslocamento. Essa flexibilidade trás inúmeras vantagens, pois conforme a atividade a ser realizada, há momentos que a disposição das mesas e cadeiras ficam mais funcionais se dispostas perto das
paredes, deixando o centro da sala livre, e noutros momentos sua distribuição por toda sala torna-se mais eficiente. Outra aspecto positivo de haver mesas e cadeiras móveis é a possibilidade de aumentar ou diminuir o número de alunos por grupo, tornando também mais fácil o arranjo dos
alunos em círculo no momento de uma discussão com toda a turma ou no caso de realizar um trabalho mais expositivo. No entanto, mesas e cadeiras fixas apresentam vantagens como: maior estabilidade e durabilidade, e acima de tudo, permitem instalação elétrica e de gás, permanente. Por outro lado, apresentam a desvantagem de não permitir seu deslocamento em ocasiões em que isso se faz necessário. A disposição dos móveis irá depender muito das dimensões e formato do laboratório. Podem ficar dispostos lateralmente ou arranjados uniformemente na sala. Esta organização dependerá também, em grande parte, da forma como se encontram distribuídos pela sala as fontes elétricas, de gás, luz e água. As mesas e cadeiras devem ser resistentes, firmes e fáceis de limpar. Recomenda-se para tanto seu revestimento com fórmica fosca, de cor clara. Mesa com prateleira abaixo do tampo são muito
práticas, pois permitem que o aluno guarde aquele material que não está sendo utilizado no momento, deixando desta forma a mesa o mais livre possível para a realização da atividade experimental.
Balcões
Os balcões são peças muito importantes num laboratório, pois podem servir para guardar o equipamento das aulas práticas, colocar materiais à disposição dos alunos, manter expostas montagens por um maior espaço de tempo, ou ainda para análises e pesquisas em geral. Os balcões podem ser de madeira, alvenaria ou aço. Qualquer que seja o tipo, irão apresentar vantagens e desvantagens. Os balcões de madeira são mais econômicos, porém podem ser facilmente atacados por reagentes químicos ou mesmo por cupins. Outro inconveniente é sua deformação em presença de umidade, muito comum num laboratório, vindo a empenar ou mesmo dificultar o movimento de gavetas e portas. Os balcões de alvenaria são bons para conter
equipamentos de vidraria. Para reagentes químicos não são recomendados devido a umidade que os mesmos normalmente apresentam. O tampo deste tipo de balcão pode ser recoberto com azulejos de cor branca, pintados com tinta plástica ou revestido com material emborrachado, sendo esta ao nosso ver a melhor opção, pois trás maior segurança, na medida que evita quebra
de equipamento de vidro, apresentando ainda uma boa resistência a ácidos e álcalis. Outra boa opção é o tampo de madeira revestido com fórmica fosca. A fórmica apresenta a vantagem de facilitar a limpeza, e ser muito resistente ao atacada de produtos químicos, além de evitar modificações, como ondulamentos da madeira. A desvantagem deste tipo de revestimento é a ação do calor, que provoca a soltura da lâmina de fórmica. No entanto, este inconveniente pode ser perfeitamente evitado cuidando-se para não colocar sobre ela aparelhos ou equipamentos que irradiem calor.Finalmente, os balcões de aço inoxidável, são muito caros, entretanto apresentam vantagens como: maior resistência, facilidade na limpeza e ótima aparência. Para maior funcionalidade, desse tipo de balcão e como forma de evitar a quebra fácil de materiais de vidro e a reflexão da luz, recomenda-se revestir seu tampo com trilhos de borracha, facilmente encontrado no comércio.
Recomenda-se colocar portas de correr nos balcões, a fim de economizar espaço no laboratório. Outro aspecto a considerar é a existência, no interior dos balcões, de prateleiras móveis, isto é, reguláveis de acordo com o tamanho do equipamento a ser utilizado. Torna-se prático também planejar
gavetas, de diversos tamanhos, junto aos balcões.

Armários
Dependendo das condições físicas do laboratório, financeiras da escola e mesmo do tipo de equipamento que se tem para guardar, os armários poderão ser dos mais variados tipos e dimensões. Dentre os mais seguros, duráveis e práticos tem-se os armários de aço inoxidável, com prateleiras reguláveis. No entanto, armários de madeira, com portas de correr e prateleiras móveis, revestidas com fórmica são também muito práticos e úteis. Substâncias químicas de risco (venenosas) devem ficar em um armário isolado e fechado à chave. Para uma maior segurança recomenda-se ainda afastar os reagentes sólidos dos líquidos voláteis e ácidos. De preferência, devem ser colocados nas prateleiras mais baixas como medida de maior
segurança. É importante também que os armários apresentem aberturas para uma boa ventilação e acima de tudo que suas prateleiras tenham calços de segurança, devido ao peso dos frascos de reagentes. Esse tipo de armário deve receber limpeza e revisão periódicas, a fim de se manter um bom controle das substâncias químicas aí contidas.
Quanto à localização, o ideal é ter os armários em uma sala própria (almoxarifado) anexa ao laboratório, pois oferece maior isolamento e segurança do material. No entanto, nossa realidade é outra. Dificilmente
encontramos à nossa disposição um almoxarifado. Neste caso os armários ficarão distribuídos pela sala do laboratório, da forma mais prática, fechados a chave, a fim de se evitar a perda de material.
Quadro Verde e Mural
Estes deverão ser amplos e ficar numa posição que sejafacilmente visível por todos os alunos. O ideal é que a própria parede do laboratório sirva de quadro verde. O quadro mural pode ser confeccionado com isopor ou qualquer outro material que permita afixar as comunicações com auxílio de alfinete ou percevejo.

 

  • Capelas

A capela é um elemento importante em laboratórios que lidam com substâncias tóxicas ou substâncias que através de reações químicas liberam vapores tóxicos. Portanto, sua construção contribui para uma maior segurança. No entanto, não é considerado um elemento indispensável, podendo ser substituída por outras medidas de segurança, como a de procurar manter o melhor arejamento possível quando se estiver trabalhando com substâncias que liberam vapores ou gases tóxicos. Entretanto, sendo viável, recomenda-se sua construção e uso no laboratório.
As capelas podem ser de vários tipos. Seu tamanho, formato, material e localização irá depender da sua maior ou menor necessidade de uso.
Os materiais mais usados na sua construção são: chapas de aço inoxidável ou alvenaria. As capelas de alvenaria, normalmente tem um revestimento interno de azulejos. Geralmente este tipo de capela encontra-se embutida na própria parede do laboratório. A janela frontal da capela deve ser de vidro móvel, laminado ou temperado, tipo de correr, no sentido vertical, a fim de permitir a visualização de seu interior. Seu revestimento interno poderá ser com fórmica, tinta plástica ou com azulejos. O teto da capela deve ser em forma de pirâmide ou de cone. No seu vértice deve estar localizado o exaustor, que irá lançar para fora do laboratório os vapores aí formados,
devendo ser filtrados antes de serem eliminados ao exterior, para evitar a poluição da atmosfera. Esta saída deve ficar afastada de locais onde se encontre fluxo de pessoas. É importante também que o exaustor seja projetado conforme tiragem da capela. Recomenda-se ter no interior da capela uma fonte de gás, eletricidade e água, pois há trabalhos que necessitam, por exemplo, de aquecimento de substâncias, condensação de
vapores ou agitação mecânica. Se no interior da capela existirem lâmpadas, estas devem ser protegidas por luminárias impermeáveis, inquebráveis e resistentes ao calor. Reações químicas que liberem vapores ou gases tóxicos, devem ser processadas sempre que possível com a janela da capela fechada e o exaustor em funcionamento. A parte inferior da capela pode ser aproveitada como armário. Todo o tipo de tomadas e interruptor da capela devem estar localizadas em sua parte externa. A construção de uma capela implica em trabalhos com produção de materiais tóxicos. Antes de construí-las pense bem se não há possibilidade de alteração ou mesmo substituição das experiências que utilizam produtos tóxicos.

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